A face trágica a incomoda. As mãos trêmulas e o odor dos poros entupidos a narcotizam. O hálito de pão fermentado a enoja. Decididamente, deixa de sucumbir ao grito volátil e copioso da ventania. O amanhã nascerá sem detritos de lástima ou contrição.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Manuscrito de Allegra
A face trágica a incomoda. As mãos trêmulas e o odor dos poros entupidos a narcotizam. O hálito de pão fermentado a enoja. Decididamente, deixa de sucumbir ao grito volátil e copioso da ventania. O amanhã nascerá sem detritos de lástima ou contrição.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009
À Donatien Alphonse.
Choraminga versos como quem chora a vida. Bate no peito e orgulha-se da amostra de desamor.
Nas vicissitudes da existência, quer ser dama, quer ser rei. Não sabe ao certo do que morre. Diz que é da vida, amortecida. Diz que é do seu eu. E nem bem sonha que já pereceu.
Ao estilo Sade, abafa o gozo de outrem. É cópia da cópia... E este gosto, senhor, emprestou de quem?
Que tua mantilha não caia e desvende o riso acre. Palavras e retratos? Deixe-os. Deles, cuido bem.
Por Daniela Piva 11 COMENTÁRIOS
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segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Cadência (sim Cadência) sem remédio
A noite dolente como sempre, comum vibra perturbada mais alguma vez, com os aforismos de sempre e palavras de mais para pouco dizer.Vibra entre alguns versos de loucura que consola, tudo tão adorável como antes. Perdeu a idade em meio aos versos que de Florbela inspirou.
Perdida como ela entre sonhos verdes sem nexo, sem parede ou fundo. Alguém a cegou por graça e ficou perdida de tanta pena da lua e de outras que pelos caminhos encontrou.
Cega de vazio nunca viveu, preferiu o escândalo que teve oportunidade de conhecer extraordinariamente, sem exagero. Grita para não cair no tédio, vive para ignorar a omissão por que todo mundo vive de quente ou de frio. Quem gosta de morno?
Segue e grita, sem cair no tédio do fracasso. Vontade doida sem remédio.
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sábado, 18 de abril de 2009
Traduzida por Woody Allen
Como pode um homem que nem a conhece saber tanto sobre seus vícios e adeuses?
Igual a tudo na vida, se desfaz. Encontra na sequência de versos o sentido da busca amarga e doce. É nas contradições que ela se faz Cristina. Para poder provar outros gostos de existência. Em cada obra não terminada, a pureza da língua. A transparência de seu desejo.
Cristina pode estar em Barcelona ou Manhattan. Em uma noite de verão ou entre neblinas e sombras. Será para sempre, simplesmente Alice, ainda que seu sonho de Cassandra desapareça.
Na mistura de personagens, ainda diz eu te amo com os olhos, enquanto todos dizem eu te amo com palavras frígidas.
Entre crimes e pecados, Vicky morreu sem narrador. Mas Maria Elena ainda existe, mesmo que nas obras. E através de fotografias, pinta o sentido da vida, porque têm muito a expressar, embora não tenha talento para a pintura.
Entre comédias e tragédias, canta a mesma parte da música Barcelona...
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Tudo para nunca pôr um ponto final.
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quarta-feira, 1 de abril de 2009
Alma
Nem o suspiro de virgens desmaiadas. Alma de luto, sem lamúrias. Nem palavras que anunciam solidão. E do leito de mágoas antes deitado, sem vestígios.
Alma acromática. Alma indolor.
Outrora, quando tantas almas riam dentro da minha, e tantas outras choramingavam, o toque era sentido. Tudo doía. Tudo amava.
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Alma lacônica e apática,
Volte a padecer.
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Capítulo I – Talhos
Anos se passaram. Aliás, muitos deles. Ao total, 23. Valentina sempre carregou no peito algo parecido com um coração. Meio incompleto, meio vazio. Um tanto com o tecido podre, que esperava um remédio ou um veneno, para regenerar ou ser fatal.
Os pulsos tinham cicatrizes imaginárias. Cortes feitos quando ainda era menina, mas já sabia das coisas. “Cortar os pulsos não é letal”, pensava. Por “já saber das coisas” desde pequena, Valentina nunca foi audaciosa o suficiente para cortar-se. Entretanto, sempre se sentiu retalhada.
“É mesmo” – diz o pai orgulhoso. “É bonita, inteligente e sarcástica. Teve a quem puxar”, sorri.
Quem escolheu o nome foi sua mãe, como homenagem a uma sobrinha falecida dois anos antes de Valentina nascer.Não gosta muito de vinho, apesar de ser um costume de família. “Um cálice depois do almoço faz bem para o coração”, repetia diariamente seu avô. “Não dá vinho para criança”, gritava a mãe da cozinha, enquanto trazia açúcar e água para misturar na taça. O gosto era pior que suco de uva vendido no colégio. Aguado, quase lilás e extremamente doce.
Valentina sorri. Nota os olhos brilhantes do pai. Aquele olhar que muitas noites desejou sentir. Azuis, acolhedores e altivos. Sente a felicidade disfarçada.
Pensa que finalmente poderia cortar-se, porque estava inteira.
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
A Metamorfose (não sendo de Kafka)
Já ouvi muito que se queremos nos transformar em algo diferente, precisamos abandonar o que já fomos. Mas como abandonar seria a melhor alternativa? Quando você esquece o que já foi não pode mudar e ainda corre o risco de cometer os mesmos erros.Ser melhor do que já foi e diferente do que gostaria de ser, sempre uma surpresa! Ninguém nunca soube ou sabe se já foi tarde ou ainda é cedo.
O que eu sei é que uma parte tem sempre que existir fora dos sonhos, alguma verdade sempre existe dentro de tantas fantasias.
O que alguém precisa me contar é sobre como abrir esta caixa de fantasias, muitas vezes trancada em algum lugar dentro da mente com medo.
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domingo, 25 de janeiro de 2009
Preto & Branco
Foi assim, preto no branco.Odiava cinza, mas que mania terrível de ser assim tão preto, tão branco.
Ela chorou três dias e três noites inteiras, ela queria chorar só mais três antes de recomeçar.
Por quê ninguém conseguia ver o que ela queria ser?
Uma parte dela continuava somente no espelho.
Chora querida, chora enquanto a vida não te escolhe, chora enquanto tudo corre do seu lado, enquanto floresce o jardim.
E foi assim, chorou até decidir que nunca mais ninguém escolheria seu branco, seu preto, decidiu que nunca seria cinza, seria vermelho de novo.
Chora querida, enquanto todos ainda querem te ver.
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A mulher de vinte e poucos anos.
Meu cabelo costumava brilhar ao sol, meu olho costumava ter a essência que só a juventude inocente possui, eu costumava amar as cores como quem não vive em preto e branco. Eu te convido a ver as fotos antigas, pele alva e iluminada por um sorriso leve. Feliz! Eu, a moça, linda e feliz. Era tudo tão verdadeiro dentro de mim naquela primava.Minha vida não foi como “O Retrato de Dorian Gray”, eu não permaneci em uma vida transbordante lançando meus pecados em um retrato. Meus pedaços, lembranças brandas de uma juventude desperdiçada em suas mãos. Suas mãos roubaram meu brilho, tudo o que vejo no espelho é um rosto tentando manter-se ainda por máscaras pintadas como maquiagem.
Minha alma envelheceu envenenada por suas mãos.
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Bem-Vindo!
Hoje eu vou desejar com toda a fé que existir, com os mesmos pensamentos de garota no alto de uma torre inalcançável, sem os mesmos clichês alternativos. Por Fabíola Amaral 2 COMENTÁRIOS
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Vida automática.
Que a boca não emudeça caso a frase não tenha sido pensada, e que as palavras saiam mesmo que desarticuladas. Mesmo que redundantes. Mesmo que não concordem entre si.
Vida automática cai bem...
Que os gemidos sejam sem pudor. Que a voz seja esganiçada. Que o choro borre a maquiagem. Que a gargalhada seja alta, tão alta...
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Que o senso do ridículo não possa falar mais alto.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Bem próximo
Acontece que se você não me abraçar sinceramente e não desgrudar os lábios para dizer clichês... Eu comece a andar pelas ruas cinza, sem destino certo, e tente o próximo. Como foi com você.
Porque você já é esse outro alguém. Que surgiu enquanto eu olhava, narcotizada, pela janela. Mas francamente, mon amour. Pode ser que logo eu desista...
Acontece que eu queria que o próximo fosse você.
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.
O nome do filme que hoje, revelo ser o mais adorável. “O brilho ETERNO de uma mente sem lembranças”.Sem lembranças...
A história fantasiosa e bela trata de um relacionamento tão normal e tão absurdo, começam por causa de uma vontade de esquecer um momento e assim apagar tudo, todos...
Enquanto assistia ao filme, pensando sobre o nome, sobre o brilho eterno, confundia-me com a personagem, com o personagem. A simbologia de uma história tão atual, triste e feliz. Sem comparações com a vida real, se é possível não comparar, hoje gostaria de deitar no gelo e sorrir!
No final do filme, Clementina diz ao Joel a frase:
_Sou apenas uma garota complicada tentando encontrar paz.
Ele diz.
_Tudo bem.
_Tudo bem.
É como dizer “Eu te amo!”
Será que tudo bem?
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sábado, 11 de outubro de 2008
Poros da alma
A vida ficou distante das flores que segregavam naquele abril frígido, mas o que abandonei não foi inteiramente esquecido. A crueldade dos risos não ridos exige clemência. O delírio dos beijos dispensados sufoca, e o peito inóspito de outrora pede estadia.
Esboços de pés suaves e abraços calados surgem repentinamente na memória, mas agora não há como retornar. As mãos já são ásperas, e meu corpo exala o odor ocre do afeto seqüestrado...
Hoje, só, espero calar os peditórios para dormir o sono dos tranqüilos. E em um segundo, imortalizar o que meus poros já sentiram.
Foto: François Yukio Reghin Sumi
http://www.flickr.com/photos/fyrs
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Desastre na Rua Tears Dry
Tudo o que posso ser para você é uma lembrança querida de uma risada no final da tarde.Você ainda lembra de mim ou de como eu era? Eu sempre estou rindo e fazendo você rir, estou sempre derrubando algo e tropeçando pela casa, mas você sempre dizia que era por isso que gostava tanto de mim. Será?
Hoje sou só uma garota desastrada procurando um lugar para morar, procurando algo para se apegar ou somente esperando a viajem para outro mundo.
Eu sei o quanto é inevitável lembrar, eu também me recordo da manhã de sol em um parque qualquer. Eu sei que não esquece, era tudo tão igual naquela mesma rua movimentada. Todos ouviam nossas vozes em noites quentes de inverno.
Eu sei que você não esquece, mas eu só sou uma garota à procura.
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Aceito.
No exagero de sentimentos, nenhuma obra. Nenhum girassol. Só travesseiros que sufocam a face da legítima ternura. Na cobiça do amanhã, nenhum pecado.
Sem cortar os cabelos, mas com facilidades prometidas outrora, agora sou inteira. Sem a crueldade e a pressa da infância. Sem a fantasia das festas.
Traga-me realidades, mon amour.
Agora, eu aceito.
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segunda-feira, 15 de setembro de 2008
O que pensamos é menos do que ontem
Encontro-me em um ponto que não reconheço caminho ou saída, para seguir ou para fugir. Estou entre o medo gélido para um recomeço cruel, chamo-o assim, pois, em toda a sua extravagância este recomeço consiste em ser eterna de uma alma infanta. Meu imaginário já afunda com os lampejos do céu, fito este céu tão infinito quanto meus pensamentos. Divago com palavras soltas de um desabafo adolescente, com letras firmes que rasgam folhas delicadas.Fico entre as coisas simples, entre sensações renovadoras, entre o que em mim necessita viver fora de mim sem qualquer caminho para seguir ou ficar como mandamento.
Fico. Fico onde de mim não exista nenhuma investigação da vida.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
La persistance de la mémoire
Línguas, melodias, mãos. Minutos esvaindo-se por elas.
Sirenes, como prenúncio do fim. Máscaras de um carnaval puritano, que não era meu, que não era dele. Todo o surrealismo foi perdido, quem sabe. Gotas de sangue pintaram um quadro digno de Salvador Dali.
Diluída e complacente, já não suspiro. E sigo sem arte, à espera de um novo pintor de memórias.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008
Escolha
Manhã divina de primavera, eu caminhava pelos mesmos lugares que venho caminhando, mas meu pensamento agora era renovador. Percebi que jamais houve liberdade em meu mundo, que jamais existiu um encontro comigo, nem mesmo um caminho para ir. As ruas ficaram pequenas, sem placas já não sei mais para onde prosseguir. Era preciso prosseguir.Quem me dera habitar em meus pensamentos mais profundos, sendo estrada, sendo manhã. Posso passar pelos mesmos lugares, posso mudar hoje mesmo e ir contra todas as expectativas, contra mim mesma.
Meu medo foi minha prisão, despertei com meus próprios versos, meu próprio socorro. Agora minha procura ousada seria correria, seria calmaria, seria eu. Meus olhos irradiariam os planos e os desejos presos e todas as manhãs seriam divinas.
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domingo, 17 de agosto de 2008
Aforismo
Abro partes do peito. Abro partes intactas. Abro estradas de chão. E você entra. E você sai. E você cisma em ir. Como um cuco. Onze badaladas. Mais uma, e você se vai. Então vá, pois sou abrasiva. Sou a barda que perece nas espumas. Se eu fosse apenas matéria, nem mil veleiros seriam causa para apego. Mas amor, sou apenas alma manifesta. Alma enfadada e aflita. De pés pesados. Pés que não me permitem ir.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Um novo impulso
Dancei conforme a música, sem muitos passos, nem muitos artifícios para as batidas. Dancei conforme a música todas as noites, é fácil me sentir como criança agora. Minhas mãos ficam suadas, meus olhos procuram algum ponto para se fixarem, e sem nenhum som minha boca permanece entre aberta só para não gaguejar. Eu não consigo me lembrar se algum dia me senti tão confortável assim, a ponto de perder o controle e sorrir sozinha enquanto caminho pela rua. Eu permaneço na cama depois de um sonho bom, eu não acerto as palavras nos textos que insistem em serem felizes, os desabafos adolescentes dramáticos ficam guardados na gaveta enquanto continuo sorrindo pela manhã. Tal impulso novo de alegria levaria o mundo a um ideal mais bonito, tal impulso novo seria mais bonito se não estivesse somente nos meus sonhos.Eu te espero hoje à noite?
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sexta-feira, 25 de julho de 2008
Sufoco
Na manhã seguinte, o sol transpassará a persiana para iluminar o girassol.
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
She again!
“Ainda estou procurando uma coisa mais extraordinária do que isso!” E foi assim que ela pôde virar as costas, com passos largos deixar aquele lugar de metáforas tão diferentes das sonhadas em sua infância. Nunca deixou de procurar entre melancolias e alegrias de uma alma insensata e sem medo do escuro.
Quando garota, sonhou em casar com um poeta, nada de romantismo, apenas sutileza e sabedoria. Sonhou com grandes castelos e novos mundos. Sonhou...
Por esquecer de seus sonhos acabou contente com menos, esqueceu dos suspiros e arrepios, das borboletas no estômago, esqueceu de sentir, viver... sem sentido! Sempre gostou dos extremos, mas esqueceu que estava no meio, do meio sem sentido, sem grandes vontades de fechar os olhos e pensar: “Deus, estou viva, quero este momento eterno”. Esqueceu!
Mas a decisão de viver algo mais extraordinário do que ofereciam, a fez audaciosa o suficiente para virar as costas para todos, para mudar tudo de uma só vez, e o sol continuaria iluminando todos os pensamentos dela até que ela possa viver suas fantasias de criança. Ela voltou!
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sábado, 28 de junho de 2008
O que farei com minhas lembranças?
Morri em terras estranhas. Morri. Levei meu espelho, cheio de manchas. Morri em meio a minha própria falta de sabedoria. Com minha ignorância fiquei perplexa, senti medo quando me dei conta que um outro alguém poderia estar vivendo minha vida, meus livros, meus poemas, minhas histórias, minhas idéias, meus sonhos...E então meu mundo começou a cair, todos os muros de minhas conquistas. Todos estarão um dia entre estes muros, e eles irão cair. Eu nunca soube onde começavam os meus muros e acabei sem saber onde terminaram. E foi assim, morri quando me perdi dentro de mim, deixei que roubassem o melhor de mim. Todas as minhas fantasias, pureza e até mesmo minha sanidade. Morri dentro de mim, em terras estranhas. Tentei ser muitas, e não fui nenhuma. Tentei receber amor sem respeito. Tentei viver quem eu nunca fui.
Agora um novo começo. Um novo muro a ser construído, um novo mundo e uma nova terra. Um novo espelho sem manchas. Tentar retirar as lembranças que ficaram guardadas, moldando alguém que não quero mais ver. Quero novas lembranças!
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Categoria: escrito por Fabíola Amaral, oh vício
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Menina do tempo
Entusiasmo na primavera, aventuras no verão. Filosofias idênticas no mesmo instante é que faz perdurar o desejo e o silêncio.
Diante de tantas insuficiências e infidelidades individuais, nos desfazemos em uma noite. Tirar a máscara que cobre atos exagerados não é libertação, é desespero.
Para acorrentar uma alma, independe o número de noites. Basta abdicar dos óculos escuros e olhar da mesma maneira para o sol, que muitas vezes se oculta entre as chuvas torrenciais. Deixar a retina queimar pode ser ousado, mas delicioso.
Previsão de chuva para a semana. Possíveis inundações no interior do estado. Na sexta, o sol volta a aparecer. No fim de semana, a temperatura máxima é de 0º. A mudança de estação é que faz a temperatura despencar.
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Anéis de Saturno
Prometi o próximo semestre, essa semana... Prometi todos os dias para você! Te fiz acreditar no nosso almoço em Marte, que te daria os anéis de Saturno. Menti. Não gosto do que é ordinário.
Para quem já teve muito, o seu é muito pouco. Não aceito seus anéis, tampouco mais uma vez com você.
Fiz aquele olhar de apaixonada, não é? Aquela carinha, meio de lado. Te comovi, não é?
Eu fiz teatro. Agora a vida virou meu palco. Meu pulso é muito intenso...
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Compreenda mon amour. Jamais daria meus dias para você.
Por Daniela Piva 9 COMENTÁRIOS
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domingo, 15 de junho de 2008
O enigma do quadro
Passam os momentos e resta-nos as lembranças que, impossíveis de banir, tiram o brilho das noites. Talvez seja magnífico este quadro cheio de desproporções e incompatibilidades.O quadro, a vida.
Os prazeres dela e os frutos de suas conseqüências. Vemos espirituosamente estes momentos sendo montados sem que possamos ter controle.
E vemos passar, arruinar, sentir. Transferindo dores, amores, sonhos, raivas. Transferir sentimentos para que possamos mudar a vida, nos fazem viver na falsidade entre as sombras e o silêncio.
Agarrar-se a mais pura alegria para desprender-se da infelicidade do passado não é apenas um erro, é um perigo. De perder o crescimento que o sofrimento, como aprendizado, traz da vida.
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sexta-feira, 13 de junho de 2008
Verdade censurada
Um enlevo de tonalidades na atmosfera da madrugada. Selei minhas vontades e desvendei a verdade induzida de outros tempos.
Supus um destino de noites mal dormidas. No entanto, a parcela afetuosa tão censurada por noites de espera, se faz. Amanheci para deixar de ser lampejo...
Hoje o dia passou frouxo. Minuto a minuto, com cifras mentais. Finalmente, ele termina. E com letras doces, me despeço do tormento...
Para mais uma vez amanhecer.
Por Daniela Piva 10 COMENTÁRIOS
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quinta-feira, 5 de junho de 2008
Auxílio para meus pensamentos
Voto em cada um destes como sendo verdadeiro e mentiroso, porque até mesmo minhas mentiras têm fundamentos em verdades.
Por Fabíola Amaral 9 COMENTÁRIOS
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
Insuficientemente desalmada
Há quem diga que o passado sempre retorna. Retorna?
Distante, ausente e recente. Ele virá em poucos meses. E o que fazer com tantos pedaços de noites, sonhos, gargalhadas e segredos registrados no vidro?
A ampulheta não parou. Os grãos de areia persistem em descer ligeiramente. Enquanto isso, outros passados arriscam voltar e eu não os quero. Nem lembro mais...
Sou uma eterna povoada. Uma maldita boneca russa, que conserva em cada pequena boneca uma porção do que foi, e do que poderia ter sido. Em poucos meses vou admirar os fins de tarde e desejar manter aquela alma liberta. Aprisionar em pequenos potes cristalinos as cores saturadas. Estarei livremente acorrentada a você, e vou precisar sufocar minha fraqueza.
Está na hora, eu sei. De estilhaçar a ampulheta e soluçar pelos grãos esparramados. Sangrar intensamente ao juntar os cacos e não te esperar. Chega de sonhar em francês! Eu não aprendi completamente. Sem legendas, quero te amar em português. Num bem coloquial.
Se você não é capaz de me acolher, então nem volte. Permaneça onde deve, e não onde está. Minha alma é muito inchada para te ver partir depois, sorrindo para outra moça...
Por Daniela Piva 14 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Daniela Piva, oh vício
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Mais uma garrafa
Todos gostamos muito de pensar na vida, não na nossa, mas nas vidas e de seus tramas, dramas, gostamos de tudo o que não nos pertence. Por isso minha janela tornou-se meu refúgio em noites em que o sono me abandona, gosto de pensar nas vidas, gosto de não pensar em nada.
Vi um homem passar, bêbado suponho, gritava horrores contra o mundo, chorava muito, imaginei que seu motivo pudesse ser amor. O estranho foi quando senti uma lágrima escorrer em meu rosto. Por que deveria me compadecer daquele pobre coitado que sofria com uma garrafa nas mãos? Porque ele é igual, um homem como todos nós, fraco, de alma delicada e frágil como todos que já conheceram a dor.
Quem deveria ser a mulher que desgraçou sua felicidade? Quem mais acabou com sua esperança e o fez cair nas ruas? Naquele momento queria estar nas ruas, não para me esconder como aquele homem, mas para procurar sair de meu refúgio e encontrar ela... A minha vida!
Por Fabíola Amaral 12 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Fabíola Amaral, te conto
domingo, 18 de maio de 2008
Carta a N.
Não que eu não tenha gostado de te ver ali. Mas hoje meu peito exige algo sólido. Hoje meus olhos improdutivos pedem para que você seja aparente só a eles. Não que eu não tenha notado em você o homem das mil faces. Não que tudo isso tenha vivido muito tempo. Não. Só havia predisposição. Mas quando meu olhar vazio encontrou um dos teus, foi ali, ali que te vi. O cara que fuma por solidão, escuta Björk e é dono das mãos mais suavemente masculinas que conheci.
Quero andar por aí com você, te ver de camiseta velha e cabelo despenteado. Sentir o cheiro de amaciante do teu moletom cinza enquanto te abraço. De saber, ao menos, se você tem um. Vontade de uma realidade maior...
Mas agora, improvise cenas ordinárias. Limpe os poros e os gestos. Sente no bar para que eu possa corresponder, sem graça, à tua paquera insistente. Faça com que minha verdade seja fatalmente verdade.
Nem que não me encontre, procure onde puder. Prometo deixar vestígios. E vou sentar na primeira fila para esperar você, invisível, me olhar.
Por Daniela Piva 9 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Daniela Piva, oh vício
quinta-feira, 15 de maio de 2008
CAPÍTULO I
Entre egoísmos e exageros típicos, ninguém pode ser totalmente conhecido. A alma engana, o coração sofre, mesmo calado, e os olhos mentem. Entre recomeço e esconderijos todos possuem esta mania de viver no outono, mas eu já disse isso antes. (Não faço diários. Tudo é mera fantasia!)
Por Soturnas Damas 8 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Fabíola Amaral, te conto
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Amanhã? Hoje.
Nesses dias frios, de sol, são perfeitos para pensar... Olhos abertos, olhos fechados. No silêncio, com minha Doce sinfonia. Eu apenas me permito pensar em todos vocês, em ninguém além de mim, nos sentimentos mais bonitos e também nos mais sombrios que sinto por muitos aqui.
Mas hoje vou esquecer do dia, vou deitar em minha cama, pensar, montar meu quebra-cabeça, e dormir...
Por Soturnas Damas 3 COMENTÁRIOS
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domingo, 13 de abril de 2008
Completa
Sai à noite, sentindo aquela sensação da manhã que invadiu meu quarto. Sai sem pensar no que queria, sentia-me tão viva, sozinha! Sozinha... Ele não conseguiu não olhar para mim, eu completa. Nunca tinha visto aquele rosto antes. Estava pronta. Pronta para deixar aqueles olhos penetrarem os meus, deixar descobrir que ainda tenho os meus novos pedaços para entregar.
Por Soturnas Damas 3 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Fabíola Amaral, te conto
quarta-feira, 19 de março de 2008
"Para alegrar o seu dia."
Sufoquei o que me fez ter alguém como você. Perdi Beatriz entre noites, textos, vícios e adeuses. Sufoquei o melhor de mim. Abandonei Laura. Abdiquei.
Não há mais como voltar a usar gerúndio. Sonhar e empilhar livros. Reclamar. Ter uma vida inteira...
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Por Soturnas Damas 2 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Daniela Piva, oh vício
segunda-feira, 10 de março de 2008
JOGUE LIXO NO LIXO!
Pequei um brinquedo velho em minhas mãos outro dia. A primeira coisa que pensei foi: _Doação!Mas aquele brinquedo estava tão sujo e velho, estava quebrado em sua maior parte, e todas as suas boas atividades não funcionavam como nos tempos de grandeza.
Resolvi jogar no lixo, este brinquedo velho estava tão preso a mim, e eu a ele que foi difícil jogá-lo assim.
Guardei, limpei, amei. Coloquei na estante, onde todos poderiam ver.
Andando pela casa procurando buscar meus pertences importantes que eu havia deixado de lado, acabei me precipitando pela desarmonia que a imagem daquele brinquedo causava na estante. Ele pareceu criar vida. Seria o Chuck?
Ele caiu nos meus pés com todo seu peso. Sangue, dor. Chorei. O brinquedo estava despedaçado no chão, podre por dentro, tinha cheiro de velho.
No outro dia com muita coragem, joguei no lixo e não olhei pra trás. Semanas mais tarde não havia mais sangue, nem dor, nem lágrimas. Os passos continuaram firmes, mas aquele brinquedo foi para o lugar que deveria acabar. Eu nunca deveria ter guardado, ignorado que ele não combinava com os móveis. O brinquedo era do lixo agora, ou de alguém que pela noite procurando algo para satisfazer sua pobre vida, levou.
Comprei brinquedos novos, ganhei muitos, e outros nunca ficarão podres para serem jogados no lixo.
Por Soturnas Damas 3 COMENTÁRIOS
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domingo, 2 de março de 2008
Ainda bem que perdi...
Perdi meus textos na madrugada. Era longa, e de tão longa me perdi em desculpas soletradas em meus pensamentos. A madrugada era longa, que mesmo sonolenta me fez ver os olhos no espelho. Olhos tristes, sem futuro que possa ali habitar e que tenha assim um misto de sonhos e de podres realidades. Desisto. Não tenho mais meu amigo tempo, a madrugada longa me espera como uma devastadora sensação de perda. Perdi para o tempo o meu futuro fantasiar, e assim perdi meus textos, que tão cheios de mentiras voaram pela janela indo embora com lembranças. Falsas lembranças foram embora pela janela, nem tudo eu sabia, nem tudo saberei até que possa escrever meus textos.Perdi lá fora metade de um sonho, outra metade ilusões.
Perdi meu castelo, meu conto, minha fada.
Perdi meus sonhos.
Perdi os piores amigos que poderia ter.
Perdi as mentiras ao pé do ouvido.
Perdi meus textos lá fora.
Perdi o sono.
Ganhei um novo começo.
Por Soturnas Damas 4 COMENTÁRIOS
Categoria: escrito por Fabíola Amaral, oh vício
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Maria, de nada adianta.
Nada adianta. O tempo, entorpecido. A carne sangra. Toma mil decisões. Toma mil copos de coca. Deita mil vezes na cama. Mas parece não levantar. Não engolir. Não decidir.
Maria conhece outra mulher que sente o mesmo. Mas não é tão amiga para escutá-la. Talvez por preguiça. Talvez por saber que vai passar. Maria tem essa mania. Esse hábito de fazer passar.
Maria olha para o céu e tenta achar outras três Marias. Três Marias solidárias ao seu desgosto, que a entendam enquanto a rotina não retorna. Maria nada vê. Nada fala, e visivelmente, nada sente. Não pertence mais aos jovens, para extravasar a dor como eles.
Maria quer outras três Marias. Uma, para adiantar um dos relógios. Outra, para guardar na gaveta de meias o relógio que não pára. E a mais distante, para lhe enviar um girassol vez ou outra, enquanto as outras não vêm.
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Categoria: escrito por Daniela Piva, te conto
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Ausência de ausências.
Amnésia do eu. Amnésia do tu. Clemência... Fênix pousa va-ga-ro-sa-men-te no ombro direito. Escolta os passos retos na areia úmida. Pegadas bem delineadas, suavizadas pelo sopro do verão.
Amnésia do eu. Amnésia do tu. Clemência.
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Categoria: escrito por Daniela Piva, oh vício
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Noite mal dormida!
Vamos ao conto de hoje.
Não conto não, talvez uns conselhos? Todo mundo gosta de falar tanto né? Mas você mente, eu minto e por ai vai... Eu finjo, escuto, me calo às vezes, e até repito! Mas fico. Por que? Por que não posso pegar o carro em alta velocidade, indo reto, vento nos cabelos e o som muito alto. Jogar o celular pela janela, e rir vendo os pedaços no chão. Não posso esquecer e nem ter “O brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Droga! Não existe uma máquina que apague lembranças, sonhos, desejos.
Hoje não pode ser um novo dia. Começar de novo é um erro, só os fracos ignoram o passado. Não comece de novo, continue. Não que eu tenha feito assim tão certo! Não. Mas se os poucos que me rodeiam me entenderem por um minuto, eu posso falar. Não são conselhos, quero te explicar.
Disseram-me que vivo em duas linhas separadas, eu sou excêntrica a ponto de não ver linha nenhuma, por que se eu vejo... Pulo! Lamentação é uma forma de viver em vão, lembrança uma forma tola. Não abandono nenhuma, sou tola a ponto de querer ser um pouco louca e fingir que minha loucura cura. De não querer escutar nada e nem ninguém, de passar alguns dias esquecendo de todos só pra ficar com saudade depois!
Quer um conselho? Não me escute. Apague a luz. Vamos deixar esse vento no rosto bater hoje, pra amanhã eu sentir saudade do seu rosto na luz!
Excêntrica? Minha confusão é minha salvação.
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Categoria: escrito por Fabíola Amaral, oh vício
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Tempos em números!
Ai quase cinco meses! Nossa passa rápido não é?
Ele já esta velho! Mas bebe mais seis copos por noite. Quanta falta de amor. Não dele, minha. Não tenho paciência para conversas tolas! Ele acha que com este papo, e com este olhar sobre mim me convence. Não, hoje não!
Agora chega a ser pena! Um ano e meio. Eu nunca pretendia conhecer mais do que conheço. Ele nunca me interessou o bastante. Mas continua nos mesmos copos, nos mesmos lugares, eu o vejo sempre igual. Tão igual que me convence por um minuto apenas que poderíamos conversar. Sobre o que?
Três horas no mesmo lugar. Todas as horas aqui olhando para aquele rosto, está velho de tantas noites como aquela. Ele era um amigo. Eu nunca o conheci, mas sabia tudo sobre sua vida. Era um lixo! Mas sempre pareceu interessante para todos. Eu sabia a verdade. Mas e daí?
Duas semanas depois, ele chorando. Chorava pelo desespero da idade chegando, tinha pouca responsabilidade e quase nada de dinheiro. Eu estava só de passagem como sempre! Mas não resisti e parei para escutar. Coitado! Ele agora queria coisas que destruiu de parada em parada que passou. Sem família. Sem emprego. Morando de favor.
Não sentia pena por estes motivos. E sim pela falta de amor para com ele. Da falta de amor que eu sentia por ele, e por mim. Fiquei mais trinta minutos. Continuei andando até encontrar o que ele nunca mais poderia achar.
Mais um copo de cerveja!
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Categoria: escrito por Fabíola Amaral, te conto
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A relatividade do tempo
24 horas. "Tudo vai ficar bem". Sorriu com pesar. Esticou os braços para abraçar o mundo imaginário. Suspirou aliviada. Alguém ganharia o mundo real. Preocupou-se. Tentou não se concentrar nisso. Pegou o telefone. Não sabia para quem ligar. Esquisito. Tudo estava esquisito. Correu para o quarto. Tudo estava lá. Deu-se conta que era apenas uma questão de costume. Uma nova rotina. Nem pior, nem melhor. Apenas nova. Lembrou das gargalhadas nos finais de tarde. Do rostinho lindo em contraluz. Das músicas com direito a coreografia... Riu. "Vou sentir saudade".
Em cinco minutos, ele conversou com um novo amigo.
Cinco minutos. Lamentou. Desejou profundamente que tudo voltasse ao normal. Até rezou em silêncio, coisa que nunca faz. Nostalgia. Quis correr pelas ruas, fotografar, cortar os cabelos, viajar. Coçou o olho. A maldita lente. Esboçou um choro. Acendeu um cigarro. Tragou como se fosse o único. Tudo para ela é único. Lembrou da única amiga que conta os segredos mais sórdidos. Da única noite que gozou sem parar. Do único homem que a faz sentir a absurda saudade. Viu as fotos. Fotografias insuficientes. Lembrou da frase do réveillon. "Vamos ter que guardar na memória". Os mais longos cinco minutos.
Ele foi para casa, depois de mais um dia normal.
Ela fez as contas. Brasil -3, em relação a Greenwich. Alemanha +1. Ela só tentava se concentrar na sua vida. Percebeu que deveria se concentrar na sua vida. E que deveria tocar a sua vida. Com o tempo, a saudade diminuiria. Outros ciclos dariam início. Outros fechariam. Faria planos de viagens. Escreveria um livro. E sentiria saudade.
- Ao amigo, amante e poeta -
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Categoria: Causos, escrito por Daniela Piva
domingo, 27 de janeiro de 2008
Tomates verdes fritos
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Categoria: Causos, escrito por Fabíola Amaral
sábado, 26 de janeiro de 2008
A Megera Domada
Flor de Lis gostava de ser chamada de Liz, e dizia ser uma menção à Elizabeth Taylor. Ela e a mania de incrementar sua personalidade pobre. No inverno, cachecóis de tons agrestes e casacos de lã feitos pela mãe. No verão, vestia-se como uma modelo em início de carreira: havaianas nos pés para andar no centro da cidade.
Liz carregava nos ombros a certeza de que bonita, não era. E pensava que a beleza era inversamente proporcional à inteligência. Insuficientemente sem graça, citava livros que jamais leu. Que nunca passou da décima página. Não percebia que além de ser dona de uma beleza inexistente, era dona também de uma inteligência nula.
Os meses passaram, e Liz conseguiu fazer amigos com seus dentes falsos. Conseguiu um namorado também (graças à mentira dos livros não lidos), que jamais a apresentou como tal para os conhecidos. O namorado não era grande coisa, mas sempre tinha um repertório de piadinhas ótimo. Liz achava que, finalmente, sua subvida estava perfeita. Até se considerava atraente, aos olhos de quem soubesse ver por trás das lentes sujas.
Flor de Lis concluiu ser mais famosa que Elizabeth Taylor. E até ousou o palpite de ser mais bonita que a intérprete de Cleópatra. Mas o que Liz-sem-graça nunca percebeu, é que Elizabeth Taylor sempre seria lembrada com glamour. E ela, simplesmente como Flor de Lis, sem graça e domada.
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Categoria: escrito por Daniela Piva, te conto
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Ser e deixar ser.
Existem pequenos momentos que nos aproximamos de quem somos realmente. Quando cantamos alto com as amigas no carro, sentindo o vento no rosto, paramos por um momento para ser. Quando conversamos e deixamos lágrimas escorrem sem nenhuma cerimônia, paramos um momento para ser e deixar ser.
Ainda guardamos em pequenas caixas as lembradas de criança que nos fazem lembrar de onde viemos. As fotos que mostram uma criança quieta. Sorridente. Sapeca. Sem nenhum medo do futuro. E não somos todos assim adultos? Levados pelo medo do futuro, paralisados no presente, pensando... Pensando...
Perdendo a cabeça esperando frases bem montadas, abraços sinceros, recompensas válidas. Esperando realizar o sonho profissional, o amor chegar como inesperado em um olhar. As conseqüências são a bela casa com piscina, crianças no jardim, a família reunida no natal. E se elas não aparecerem? Devo esperar enquanto vejo o movimento da principal avenida?
Sonhar não me torna ninguém fisicamente. As lembranças do passado podem dizer apenas quem eu poderia ter sido, mas não fui. Mas os pequenos momentos de liberdade me fazem ser e deixar ser alguém por impulso. Momentos tão curtos quanto o sorriso do seu pai na formatura. Das borboletas no estômago no primeiro encontro com o amor da sua vida de hoje. Na linha azul ou vermelha no palitinho dentro do banheiro feminino.
Planejamos tanto, sonhamos tanto, que esquecemos de ver que os pequenos momentos de hoje tornam o "ser" diferente do "parecer ser" da fantasia de amanhã. Deixe ser.
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Categoria: escrito por Fabíola Amaral, te conto
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Cansei de ser moderno. Quero ser eterno. – Picasso
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Categoria: escrito por Daniela Piva, oh vício





























